Yaoi e Shonen-ai: Desmistificando e Discutindo

Parte 1: Hoje vou apresentar – de forma didática, mas não cansativa, espero – algumas razões do sucesso do yaoi e do shounen-ai entre as japonesas e algumas características recorrentes nas histórias yaoi e/ou shounen-ai. Dentre estes aspectos, destacaremos três: a beleza andrógina, personagens que trazem em si características psicológicas masculinas e femininas; e a presença de dois tipos básicos de personagens, o uke e o seme.
O ideal de beleza andrógina não foi inventado pelas autoras de shoujo mangá, ela simplesmente existe dentro da cultura japonesa. Lá, o belo está associado à delicadeza, ao equilíbrio, às coisas pequenas, aparentemente frágeis. O bishounen (menino/rapaz bonito) já parecia atraente, tanto aos homens quanto às mulheres, há séculos. Aliás, não raramente, mesmo em produções shounen, nós temos esses ideais materializados em algumas personagens. Isso sem falar que a beleza andrógina, com ou sem sugestão homoerótica, está cada vez mais presente no Ocidente, e isso, desde muito antes da “invasão cultural japonesa”, com cantores como David Bowie e Boy George, ou mais recentemente, em filmes como “Entrevista com o Vampiro” ou atores ídolos teen como Leonardo Di Caprio, podendo ser identificado também nos outdoors de qualquer grande cidade.
Quando o assunto é shoujo, este ideal de beleza é exacerbado, e um dos parâmetros desse modelo são as atrizes que fazem os papéis masculinos (otokoyaku) no Teatro Takarazuka. A otokoyaku seria o correspondente ao onagata, o ator que representaria os papéis femininos no totalmente masculino teatro Kabuki – as mulheres foram proibidas de atuar no teatro no século XVI. O Takarazuka fundado, em 1913, mistura música e representação e é um teatro onde as mulheres fazem todos os papéis. Os musicais do Takarazuka, com suas atrizes de olhos bem destacados pela maquiagem, influenciaram gente como Osamu Tezuka e Ryoko Ikeda, assim como muito da noção de beleza masculina, ou andrógina que impera em boa parte do universo do shoujo mangá. As atrizes que representam os papéis masculinos são veneradas por meninas e mulheres e seus maneirismos podem ser vistos em muitas personagens masculinas – ou andróginas – dos mangás femininos desde A Princesa e o Cavaleiro. O cavaleiro de Ouro Afrodite de Peixes (abaixo), do anime Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seyia) é um clássico e palpável emplo disso.

Por Valéria Fernandes

Júnior

Júnior é atualmente o irmão mais novo de Dário, posto que em breve perderá, pois sua mãe está grávida. Júnior tem apenas dezesseis anos, e apesar disso, já está maior que o irmão. Sempre foi um praticante inveterado de esportes, e por esta razão, não pretende seguir os passos do irmão na faculdade. Já se decidiu pelo curso de Educação Física, para desgosto de Dário. Júnior tem personalidade forte e temperamento agitado, é dado a rompantes e não analisa as situações que vai se envolver. Por essa razão, seus pais e seu irmão já tiveram que tirá-lo de problemas. Sua menoridade é um agravante para seus planos, pois gosta de ir a lugares e fazer coisas perigosas e com freqüência não está autorizado para tal. O hábito de fumar apareceu numa dessas aventuras pelo submundo. Porém não é difícil que consiga, pois é astuto para enganar seus pais e seu corpo não denuncia a pouca idade. Sempre foi muito ligado ao irmão, apesar de comportamentos tão diferentes. Sabe que no irmão mais velho pode sempre contar e que ele jamais o deixará desamparado. Ainda que Dário não diga ou demonstre muito, sabe que é amado. A relação harmônica fraternal entre eles vai se desestabilizar com a nova admiração de Júnior pelo também novo amigo de Dário, Rubens. As afinidades de gosto e de personalidade vão gerar uma aproximação franca com Rubens, e por vezes, Dário ficará em segundo plano. A partir de então Dário se deparará com um ciúme contido, pois tem vergonha de admitir que gosta das pessoas. Um ciúme de dupla face pelo amigo e pelo irmão. Júnior se parece com seu irmão mais velho, apesar de ser mais moreno e mais alto. O cabelo usa com um topete, próprio dos rapazes de sua idade. Já ficou com meninas, mas recentemente está descobrindo novas possibilidades para sua sexualidade.     

Dário

Um jovem de 22 anos, formando em história por uma faculdade federal do Rio de Janeiro. Para seu trabalho de conclusão de curso procura verificar se existem relações entre as sociedades pré-colombianas e os indígenas brasileiros. Mais especificamente, procura verificar se existe alguma verdade nas lendas que dizem que a região de São Tomé das letras, em Minas Gerais, foi habitada por civilizações avançadas e que suas grutas guardam relações com as cidades incas.Dário é um jovem calmo, honesto, mas que tem alguma dificuldade de expressar seus sentimentos. Com freqüência as pessoas o julgam frio. Chegam até a dizer que o único amor da vida de Dário é a história, já que ninguém nunca o viu com mulheres. Isso não faz dele anti-social, apenas procura evitar situações onde sabe que será cobrado em termos de afetividade. Dário tem estatura mediana, e é muito bem apessoado. Usa seus cabelos castanhos despenteados e ostenta uma costeleta igualmente comprida e despenteada. É forte e tem a pele clara. Seus olhos são da cor de seus cabelos. A Família de Dário é composta por seus pais e seu irmão Júnior, sua companhia mais constante. Em breve eles ganharão mais um irmão. O fato de ser um rapaz cheio de ideais e querer mudar o mundo atraiu, na faculdade, algumas inesperadas amizades como a de seus professor Castelar, de Carlos, um estudante de educação física que compartilha de suas idéias, e de Rubens, um estudante de história de períodos mais atrasados que contesta seus métodos.

Cap 1: Big Bang

Explodiu! Era a colisão de duas forças intensas, ativas, poderosas. O modo caótico se deve ao fervor e a urgência com que se precipitam uma para a outra, a viloência se deve a repulsão que sentem, cada vez que se atraem e se tocam. É uma grande dança de permissão e bloqueio, que por não se completarem, permanecem instáveis, só podendo ser entendidos enquanto movimento. Como um choque entre dois grandes icebergs, que não podem se unir, mas que a maré leva inevitavelmente ao encontro do outro. Do contato entre essas duas forças, aparentemente frias, libera-se uma energia tamanha, que se converte em calor, fogo e plasma. A alta temperatura transforma o evento, e os personagens do evento. Eles se derretem, suam, perdem parte de suas essências a cada parte de si que se transmuta em líquido, transformando-se cada um em outra coisa, e um no outro e os dois numa terceira coisa muito mais forte, intensa, ativa e poderosa que a primeira.  




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